quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O contexto é sobre Corpo, Alma e Espírito?

“Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”  Hb 4.12.
 Este versículo é muito utilizado nas discussões sobre a composição da parte imaterial do homem. Mas, será que este é o tema que o escritor da carta aos hebreus quis evidenciar? É sobre os elementos imateriais que compõe o homem que o escritor quis falar?
Para chegarmos a idéia que o escritor evidenciou, necessário se faz uma análise do contexto e uma análise gramatical.
Primeiro:
O escritor da carta aos Hebreus lembra o fracasso de muitos israelitas ao exortar os cristãos sobre a necessidade de perseverança Hb 3. 19.
Ele chama os cristãos a responsabilidade quanto ao depositar a fé na palavra que lhes foi anunciada, e os exorta da seguinte maneira. “Temamos pois que,... Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles (o povo de Israel); mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé daqueles que a ouviram” Hb 4 1- 2.
Note que para se alcançar a salvação sempre houve boas novas dos céus! Ao povo de Israel também foi anunciada a boa nova de salvação, mas eles não aproveitaram, visto não terem fé na palavra anunciada.
Para ilustrar o erro a que poderiam incorrer os novos cristãos hebreus que não perseverassem, o escritor aos hebreus citou alguns exemplos de incredulidade e desobediência registrados no Antigo Testamento “Esforcemos-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência” Hb 4. 11.
Observe os termos: palavra, boas novas, foi anunciado, ouviram, etc. Segue-se que a abordagem do escritor é com relação a palavra de Deus.
O contexto é sobre a palavra de Deus e a sua importância. Observe que a carta tem como plano de fundo a palavra de Deus: "Havendo Deus falado muitas vezes (...) Portanto convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas" Hb 1. 1 e 2. 1.
A palavra só tem proveito para o ouvinte se ele depositar confiança no que é anunciado e o que ocorreu com os desobedientes da Antiga Aliança foi um exemplo vivo desta necessidade.
Os da antiga aliança ouviram a voz do Espírito, mas endureceram os corações e por isso mesmo não entraram no descanso proposto por Deus! A eles também foi anunciado as boas novas, como também a nós foi anunciado.
O tema que esta sendo apreciado nesta parte do discurso não é outro: ele está demonstrando a necessidade de emprenharmos em crer na palavra. Diante disto o apóstolo conclama: Esforcemos! Temos que entrar no descanso, para não sucumbirmos segundo o exemplo de desobediência que está registrado nas Escrituras! O tema sobre a palavra inicia-se quando Paulo dá o aviso: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mal e infiel, para se apartar do Deus vivoHb 3. 12.
Do alerta quanto aos perigos da incredulidade após ouvir as boas novas do evangelho, decorre a conclusão: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz...”. Isto nos faz deduzir que muitos dos ouvintes e leitores da carta do apóstolo pensavam que era possível encobrir os seus pensamentos e a falta de fé de diante de Deus.
Mas, o apóstolo demonstra que todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos de Deus com este versículo. Não há como se esconder de diante da presença Deus!
Estes versículos tratam especificamente destes temas: A palavra, a fé, o temor, o cuidado, e a onisciência Deus. Entretanto, o versículo 12 além de tratar e concluir a idéia em torno destes temas traz algumas considerações sobre a alma e o espírito, que diz assim: Porque¹ a palavra de Deus é² viva e eficaz,...” Temos aqui uma frase afirmativa² e explicativa¹ que encera uma conclusão de idéias dos versículos anteriores.
A palavra de Deus é viva por que se refere ao Verbo de Deus. É eficaz porque ela não retorna vazia.
“... mais² cortante do que³ qualquer espada de dois gumes,...” Além das qualidades acima que é ser viva e eficaz, a palavra tem outra qualidade: ‘e’ mais. É adicionada¹ mais uma qualidade com intensidade²: mais cortante do que. Temos neste texto vários conectivos entre as qualidades e não vários verbos de ligação. Isto significa que comparada³ a uma espada, a palavra é muito mais cortante. A “palavra” aqui não é descrita como sendo uma espada, como se apresenta em outros textos.
O escritor aos hebreus compara a palavra de Deus a uma espada, ou seja, com uma das melhores ferramentas de sua época. Entre a palavra de Deus e uma espada, aquela é a mais cortante. O apóstolo está fazendo um comparativo entre a palavra de Deus e uma ferramenta que possuía o corte de maior precisão em sua época. Aqui ele compara sem afirmar que a palavra é uma espada. Até aqui temos três qualidades referentes a palavra: é viva, é eficaz, e é ‘mais cortante que’.
A palavra possui as qualidades de cortante e penetrante. “... e penetra até a divisão da alma e do espírito, juntas e medulas...” O versículo em um todo trata da palavra e seus vários qualificativos. Entretanto, ao se descrever um de seus qualificativos funcionais, que é penetrar, temos ai quatro elementos que nos salta a vista: alma, espírito, juntas e medulas. Por enquanto, só verificaremos a função da palavra.
O texto encerra a seguinte idéia: a palavra de Deus é como uma espada, que penetra até a divisão da alma e do espírito, entretanto ela penetra, não divide. Ela é tão precisa que chega até ao ponto de dividir alma e espírito; entretanto, o apóstolo não descreve como função da palavra o dividir estes dois elementos. Da mesma forma não é função da palavra dividir juntas e medulas. A palavra de Deus não desempenha a função de dividir os elementos constitutivos do corpo.
Se a palavra não desempenha a função de dividir os elementos do corpo, também não dividirá os elementos imateriais constitutivos do homem. Neste versículo o mais importante esta nos verbos que expressam a ação da palavra que é cortar e penetrar e nos seus qualificativos que é ser viva e eficaz.
“... e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” - Está é a função precípua da palavra, discernir os pensamentos e intenções. Esta função está em conformidade com o tema central do texto que é: devemos crer na palavra para não cairmos na mesma desobediência do povo de Israel, pois tudo está nu e patente aos olhos de Deus.
O tema central do texto é o descrito acima; o tema é o ponto de maior importância quanto à análise e interpretação do texto, entretanto podemos inferir que o homem possui dois elementos imateriais (observação de menor importância comparado com o tema central descrito acima), e este elementos imateriais depois de unidos são indivisíveis.
Em resumo este texto demonstra tão somente estes pontos:
• Que Deus conhece o homem no mais profundo do seu ser (onisciência);
• Que a função da palavra é trabalhar no discernimento das intenções do coração;
• Que a palavra tem vários qualificativos: viva, eficaz, cortante e penetrante.
Em contra partida deduzimos da citação que há distinção entre:
• a alma, o corpo e o  espírito, e;
• Que a alma e espírito não podem e não se separam após a criação do homem.
O corpo é revestimento exterior do homem. O homem somente é homem porque tem um corpo e este formado do pó da terra; do contrário, ou caso não possuísse um corpo constituído de elementos materiais, tão somente seria só mais um ser com características semelhantes as angelicais. A maior diferença do homem para com os anjos esta no seu corpo animal.
No entanto, apesar de conseguimos retirar estas informações deste versículo, a função principal dele pelo contexto é demonstrar que devemos ter fé e perseverar na esperança proposta.
O apóstolo demonstra que devemos guardar a nossa fé até o fim para que alcancemos a esperança proposta.
“Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim” Hb 3. 14.
Isto porque Deus não lança fora àqueles aos quais foram recebidos por filho por meio da pregação e poder do evangelho, mas o homem pode lançar-se de diante da presença de Deus. 
“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” Hb 3. 12.